Após fim de isenção para carro chinês , BYD acelera nacionalização na Bahia

A promessa foi feita durante visita da imprensa especializada ao complexo industrial da BYD em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (BA), na qual executivos prometeram até 100% de produção com componentes locais a partir do segundo semestre de 2026 - além de anunciarem a chegada dos primeiros carros flex da marca, com estreia também prevista para este ano.


Song Pro flex e picape inédita bicombustível


A BYD anuncia que, até o fim de 2026, vai lançar o Song Pro híbrido flex com uma reestilização.


Ou seja, o SUV híbrido plug-in deverá ser o primeiro modelo da fabricante, hoje produzido na Bahia, a ser abastecido tanto com gasolina quanto com etanol. Não muito tempo depois, o utilitário esportivo dará origem a uma picape híbrida flex.


Os incentivos, que vigoraram até 31 de janeiro, não foram estendidos apesar das pressões junto ao governo.


Após o fim da medida - que era válida por seis meses e previa a alíquota zero dentro de um limite total de US$ 463 milhões em produtos importados - as tarifas voltaram a ser cobradas a partir de 1º de fevereiro. A alíquota atual é de 16% para kits CKD (completamente desmontados) e 18% para SKD (semidesmontados), conforme tabela vigente da Camex (Câmara de Comércio Exterior). A previsão é de que esse imposto suba para 35% em janeiro de 2027, no caso dos desmontados.O benefício temporário foi criado para incentivar a entrada de novas montadoras no Brasil, como BYD e GWM, durante a fase inicial de implantação das fábricas. Na prática, permitiu uma redução significativa no custo de modelos montados localmente com base em peças trazidas da China, o que acirrou os ânimos no setor


A discussão voltou ao centro do setor automotivo após a Anfavea divulgar um estudo com projeções negativas para o país caso o uso de kits desmontados continuasse sendo incentivado. Segundo a entidade, uma substituição da produção plena pela montagem de CKD/SKD em alto volume poderia eliminar até 69 mil empregos diretos e gerar perdas de até R$ 103 bilhões na cadeia automotiva.


"O problema é manter incentivos para a simples montagem em alto volume, sem exigência de aporte de valor nacional", afirmou o presidente da Anfavea, Igor Calvet, em comunicado.


A entidade teme que a continuidade desse modelo desestimula investimentos em produção mais complexa, pesquisa e 


desenvolvimento, afetando também a engenharia local, os fornecedores e a arrecadação tributária - e, por essa razão, estava pressionando o governo federal a não prorrogar o benefício fiscal para carros montados nas modalidades CKD e SKD.


Questionado sobre as críticas da Anfavea durante coletiva de imprensa na fábrica de Camaçari, Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil, afirmou que as pressões são decorrentes de "corporativismo" das montadoras associadas à entidade - que engloba empresas como General Motors, Volkswagen e Stellantis.



"Há um corporativismo dentro da indústria que historicamente é concentrada na Região Sudeste. Parece até que há um desejo de impedir que o Nordeste se industrialize. Isso é o que me parece, considerando que sofremos muita pressão no começo para que a gente desmobilizasse o projeto na Bahia e levasse para São Paulo", disse o executivo.


Baldy defendeu o início das operações locais da BYD por meio da montagem de veículos com peças totalmente importadas.


"Em lugar nenhum do mundo em toda a história, houve montadora que começou as suas operações em determinado país optando por ir diretamente para o regime em que a produção é nacionalizada."


De fato, montar um carro a partir de kits exige menos etapas produtivas locais do que fabricar um veículo completo. Isso reduz investimento inicial e permite preços mais competitivos, justamente o ponto que preocupa as montadoras tradicionais, que têm estruturas industriais mais pesadas e custos maiores.


No entanto, vale ressaltar que a classificação que define se um carro é nacional ou não é essencialmente tarifária, e não industrial, conforme o consultor automotivo Milad Kalume disse à colunista do UOL Carros Paula Gama.


"Ela define como o produto entra no país e qual imposto paga. Não diz, por si só, quanto de indústria existe ali", explica.


Na prática, isso significa que um carro montado no Brasil pode ser registrado como nacional mesmo tendo grande parte de seus componentes importados, desde que não entre como veículo pronto.


A produção plena, englobando etapas como soldagem, pintura e engenharia local, é justamente o que a BYD promete iniciar até o fim deste ano.

  • Fonte: uol /
  • Autor: Guilherme Menezes /
  • Data: 05 fevereiro 2026
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